
Ao chegar na casa da tia, desci do carro e fui me aproximando… Só que, do lado, tinha uma baita exposição de cavalos, com muita gente cavalgando, tipo aquelas festas de campo. Mas tinha algo estranho… Não parecia a casa da minha tia. Se lembro bem, ali tinha um ferro-velho. Cadê? Sumiu do nada. Agora tem esse parque cheio de gente, crianças, exposição de cavalos… Parece até um lugar particular.
Tudo bem, então vou entrar pra ver como funciona… Entrei lá e, rapaz, tinha muita coisa topada! Um campão com grama nova, tudo bem cuidado. Dessa vez, consegui ter acesso. Bom, esquece o ferro-velho. Fui explorando o lugar, conhecendo um pouco… Tinha muita gente, mas bem diferente, falando uns idiomas que eu nem entendia direito. Aí tentei me aproximar, mas não demorou muito pra começarem a questionar como é que eu entrei e cadê os adultos.
Adult: Hi, how are you?
Geo: I’m great.
Adult: Where are your parents? How old are you?
Geo: I’m five.
Adult: Are you alone?
Geo: No, I’m never alone. There are always angels watching over me.
Adult: Angels? Is that what you call your parents?
Geo: Oxe, no! They’re real angels, from Heaven.
Adult: Oh, I see. So, were you invited? Alright. I’d like to meet your parents, they must be very polite.
Geo: Do you want to meet the angels?
Adult: Yes.
Geo: Okay. Take this medal and place it on your chest.
Adult: Like this?
Geo: Yes… Look, there she is. Can you see her?
Adult: Yes, it’s a woman dressed in white.
Geo: She’s the one who watches over me.
Geo: Eita…
Já começou o desespero. Todo mundo correu atrás da moça que tava dormindo no gramado, mas ela acordou logo em seguida. Só um susto de leve. Aí continuei conhecendo outras pessoas. Tinha uma guria loira cavalgando num cavalo chique. Tentei me aproximar dela. Quando ela desceu da montaria, fui tentar trocar uma ideia.
Geo: Hi, miss, how are you?
Reg: Hi, I’m good. Are you having fun?
Geo: Yes, a lot! This place is so cool.
Reg: Yes, it’s wonderful. I really like horseback riding. How old are you?
Geo: I’m five. And you?
Reg: I’m twelve. I’m going to ask for a horse as my birthday present.
Geo: That’s so cool! Will you turn twelve in 2025?
Reg: 2025? No, we’re in 1973.
Geo: Eita! 😵💫
Reg: It was really nice meeting you, but I have to go home tonight. Bye!
Geo: My friend now. Haha.
Hum… A guria disse que estamos em 1973? Que viagem! Tá tudo meio estranho, o povo aqui se veste diferente. Passei pela praça e vi uma mulher que parecia atriz, gravando um filme. Ela tava falando num megafone. Eles filmaram por alguns minutos e repetiram a cena várias vezes. Ainda tô conhecendo esse lugar… Perto dali, tinha um prédio grande, parecia um mosteiro ou uma universidade, sei lá. Vi dois sacerdotes conversando, parecia um papo sério.
As segui até uma igrejinha pequena que tava aberta. Depois de uns dias rodando por vários lugares, resolvi falar com a Anja.
— Mulher, apareça, quero te pedir um favor.
Na hora, o Anjo surgiu perto da Geo e perguntou o que ela queria.
— Anja, usa o poder de batima e deixa a gente transparente. Quero ver aquela moça que tava cavalgando uns dias atrás. Quero ver ela.
Num passe de mágica, foram parar no sótão, onde estava a menina. Mas ela não podia vê-las.
Passaram alguns minutos e a adolescente pegou uma tábua, ficou brincando, tentando conversar com alguém. Geo, observando tudo, estranhou.
— Ué… Ela conheceu um amigo? Quem é esse capitão com quem ela tá falando?
A Anja ficou em silêncio. Geo insistiu:
— O que foi, mulher? Fala logo!
A Anja respirou fundo e disse:
— Sua amiga não tá conversando com um amigo… É outra coisa.
Geo arregalou os olhos.
— Como assim, outra coisa? Me responde, Anja!
A Anja disse:
— Geo, observe bem… Vê o que tá perto dela?
Geo, curiosa, perguntou:
— Quem é?
A Anja respondeu:
— Você precisa sair de trás da porta e entrar no sótão. Ela não vai te ver.
Geo riu de nervoso.
— Ah, é? Rararara… Como é que eu vou ver escondida?
Quando entrou, arregalou os olhos.
— Eita! Que bicho feio, fio da peste… Esse daí é amigo dela?
A Anja foi direta:
— Não. Ele é um demônio do inferno, o demônio dos ventos e das pragas. Os sumérios costumavam contar histórias sobre ele. Os antigos o evocavam pra destruir o demônio que atormentava mulheres grávidas, mas não sabiam que, na verdade, tavam fazendo um pacto com Pazuzu.
Geo ficou indignada.
— COMO ASSIM, PAZUZU TÁ CONVERSANDO COM A MOÇA?!
Ela bufou, com as mãos na cintura.
— Esse fio da peste saiu do inferno pra mexer com a guria?! Ah, eu vou é meter a mão na cara desse fio da peste.
Geo, já armando o punho
A guria tá brincando e esse miserável tá ali, perto dela. Minha fia, eu não vou deixar ele ficar não! Tô muito irritada! Me segure, Anja, porque eu vou meter a mão nesse nojento!
A Anja tentou acalmar:
— Tenha calma, Geo. A gente precisa agir com cautela. Não se precipite.
Geo se irritou.
— Minha fia, olha aquele bicho feio ali, pertinho da menina… Não dá uma vontade de dar um murro nele?!
A Anja respirou fundo.
— Vamos recuar por enquanto e pensar no que fazer.
Geo cruzou os braços.
— Tá bom, tô calma. Usa a luz e vamos bolar um plano.
Ela estreitou os olhos, encarando o demônio.
— Mas olha… Eu não fui com a cara desse nojento. Que fio da peste!
Então, elas saíram dali e foram pra outro lugar.