
Olá, meu nome é Geo, tenho 5 anos, e essas são as minhas aventuras. Estive de férias esse tempo todo, só curtindo a vida. Apesar de não ter acontecido nada de extraordinário, tudo seguiu do jeitinho de sempre. Fico muito feliz por não ter encontrado nenhum vilão — aqueles “fio da peste”, muito enjoados, sempre querendo vender bugigangas por 10 reais. Ninguém merece ser perturbado! O dia está ensolarado, sem previsão de chuva ou espíritos. Você sabe como é…
Resolvi contar a aventura de hoje porque vou passar dois dias na casa da tia, um lugar com muitas coisas diferentes, bem parecido com uma fazenda no campo. Enquanto escrevo, estou a caminho de lá. Ao sair do carro, percebi que o ambiente realmente lembra o campo, mas há muitas coisas espalhadas pelos quintais. À primeira vista, descobri que na casa da tia há um ferro-velho cheio de carros enferrujados e quebrados. Será que alguém ainda compra carros assim?
Quando os adultos se encontraram, fui correndo pra trás, perto do ferro-velho, pra ver se tinha algo pra brincar. Todo mundo entrou e eu fui junto. Lá tem muito carro enferrujado e quebrado, então tenho que tomar cuidado com ferrugem e tétano. Não tem nada pra brincar aqui, e se tivesse alguma guria seria até melhor, mas esse lugar é um deserto. Será que vai ser muito silencioso? Aff. Resolvi voltar pra casa, então saí correndo, mas tropecei em algo — parecia um buraco. Caí longe, uns 30 cm de distância. Nem chorei. Mas que peste de buraco é esse aqui? Fio da peste!
Então fui lá e escavei aquele buraco. Parecia que tinha algo enterrado, então tirei a areia e achei um saco preto amarrado. Tava escrito “fio de 300 l”, mas o resto da letra tava tudo apagado com o tempo. Cortei a corga que prendia o saco e, quando abri, tinha uns ossos lá dentro. Na hora soltei: “Aff, fio da peste nojento, eca!”. Aí amarrei o saco de novo e joguei no tanque de água poluída que tinha ali perto. Parecia um tanque que usavam pra lavar alguma coisa. Depois disso, voltei pra casa.
Quando entrei, os adultos tavam estranhos, pareciam umas estátuas, ninguém se mexia. Cheguei perto da minha tia e perguntei: “Oi, minha fia, tá me ouvindo?”
Ela não respondia. Será que ficou maluca de novo? E os outros tavam agindo do mesmo jeito, pareciam nem existir. Aff, vou subir e ver se tem algum desenho camponês pra assistir. Subi a escada e liguei a TV. Realmente, tava passando um desenho camponês: uma boneca com um capim na boca e chapéu de palha, falando: “Opa, deixa eu brincar lá dentro por mói da chuva.” Opa, desenho autêntico mesmo. Rara!
Depois a TV desligou. Aff! Fui até a janela e vi umas gurias brincando lá fora, parecia uma roda. Ah, deixa eu ir lá saber quem são essas gurias. Desci a escada e fui até elas. Cheguei perto e falei: “Oi, gurias, vocês moram aqui?” Mas elas não quiseram falar comigo. Persisti, mas elas só ficavam brincando e cantando uma música macabra, igual aquelas meninas capelinha do Submundo. Então cheguei mais perto e disse: “Ei, quero brincar também.”
As gurias olharam pra mim e responderam: “Não podemos… a gente tem muito medo. O homem de suéter vermelho vai brigar com a gente. Temos muito medo dele.”
Então resmunguei: “Oxi, por que ele vai brigar? Qual é o problema?” Perguntei: “Cadê ele?” Aí todas as gurias apontaram pro teto da casa. Quando olhei, lá estava um veio de cara queimada e com umas garras nas mãos. “Ah, então é ele? CrenDeusPai, bicho feio da peste!” Kkkk. “Vocês têm medo dele?” Quando olhei de novo, as gurias tinham desaparecido.
“Ah, vou encontrar esse veio. Quero saber por que ele tá assustando as gurias do campo.” Então entrei na casa correndo, mas tava tudo escuro. “Cortaram a luz? Vixe… e agora?”
Tentei subir a escada, mas do nada ela começou a derreter, parecia lama ou areia movediça. Não conseguia subir de jeito nenhum. Tentei fazer força com as pernas, mas a escada desabou e tomei um tombo feio. Caí lá embaixo, parecia um calabouço ou algo assim. Tava toda molega no chão quando vi a chaminé soltando uma lagarta véia.
Levantei, limpei a poeira e pensei: “O que é isso? Uma minhoca véia?” Aproveitei e dei um pontapé no olho dessa fia da peste, e ela saiu correndo. Depois disso, comecei a caminhar pro outro lado e me perguntei: “Ué, aqui na casa do campo tinha chaminé?”
“Não, claro, mas como essa minhoca véia apareceu aqui? Cadê todo mundo? Quero sair logo desse lugar maluco! As camponesas vão se assustar com essa coisa.”
Depois, voltei pra escada, mas agora não tinha mais lama. Subi e entrei no quarto. A cama tinha um buraco bem profundo, parecia ir até o Submundo, mas nada que realmente me desse medo. Bom, então corri pra sala, e lá estava o veio, com um suéter preto e aquelas garras assustadoras.
Fui direto e perguntei: “Veio, por que você não deixa as gurias brincar? Elas disseram que têm medo de você. Por que tá fazendo medo nas camponesas?”
Ele olhou pra mim e respondeu: “Elas são minhas crianças.”
Inconformada, retruquei: “Como assim elas são suas?” Então tentei usar o poder branco do Batiam, haha, nele, mas não deu efeito. “Eita, peste. E agora?”
O veio veio pra cima de mim, segurou meu braço, e eu gritei: “Me solta, seu fio da peste fedorento!” Ele só ficou rindo, e eu pensei: “Ah, então é assim? Agora vou apelar!”
“Mulher de branco, me ajuda?” Então, acordei no carro da minha tia. Tudo tinha voltado ao normal. Falei: “Não, mulher de branco, não me traz pro carro! Me manda de volta praquele lugar, quero bater naquele fio da peste que não deixa as camponesas brincar. Só quero usar a luz do Batman!”
De repente, ouvi uma voz: “Então vai, fio feio!” Disse o anjo. E lá estava eu, de novo, no mesmo lugar. “Será que tenho mesmo o poder do Batman?” Pensei. Fiz a luz branca surgir na minha mão e joguei um raiozinho pra testar. “Ótimo! O poder do Batman voltou!” Logo depois, comecei a chamar: “Veio, cadê você? Tá se escondendo?”
Nada. Fui pro quintal, procurei e nada. Até que ele apareceu em frente a uma árvore. “O quê? Tem um porão ali? E um lugar com grama? Tô ficando doida! Isso não tava aqui antes. Oxi!”
De repente, as gurias apareceram cantando. Apontei pra elas e falei: “Olha, veio! Essas são as camponesas. Deixa elas brincarem!” O veio começou a rir e disse: “Se você quiser, tente me derrotar. Nunca vou deixar minhas crianças.”
Então pensei: “Ah, é assim mesmo? Bora ver quem é a verdadeira fio da peste agora!”
“O que eu faço agora? Mulher de branco, aparece aqui!” Então, ela apareceu nesse mundo. O veio gritou: “Quem é você?” Aproveitei e perguntei: “Mulher, como faço pra esse veio deixar as camponesas brincarem?”
A mulher de branco explicou: “Estamos no mundo dos pesadelos. Esse ser demoníaco controla tudo aqui, é o domínio dele. Ele foi um criminoso na vida real, acusado de muitos crimes. Os pais das crianças fizeram justiça e queimaram ele… Agora, ele é um demônio dos espíritos dos sonhos. Aqui, ele controla tudo.”
A Geo, já irritada, respondeu: “Então ele é um demônio? E matou aquelas gurias? E todo mundo que dorme tem esses pesadelos por causa dele? E ninguém consegue enfrentar esse fio da peste?”
Olhei pra mulher e perguntei: “Você é um anjo, né? Então me diz o que faço! Kkkk… Vamos usar hack, né? Kkkkk.”
O anjo respondeu: “É só encontrar os restos mortais dele e queimar.”
“Ah, então é só isso?”
“Sim,” respondeu o anjo.
“Mulher, traz esses ossos aqui?”
O anjo trouxe imediatamente a sacola de ossos e entregou pra mim. Quando vi, fiquei surpresa: “Ah, então é essa nojeira aqui?” Dei uma olhada e pensei: “Aí, Geo, olha o trabalho que tu arrumou.”
“Então, como faço pra queimar isso? Um anjo não tem um fósforo aí, não? Kkkkk.”
O anjo não perdeu tempo e queimou os ossos na hora. Mas eu, resmungando, falei: “Ele vai voltar a mexer com as camponesas, não vai?”
“Me leve pro Submundo!” Pedi. E, imediatamente, fomos até lá. Encontramos o demônio do sono preso numa jaula. Me aproximei e falei: “Fio da peste, agora eu vou te bater! Nojento! Deixe as camponesas brincarem, seu miserável!” Dei um tapa nele e mandei os soldados ficarem de olho.
Depois, fui ao encontro das camponesas e libertei todas elas, mas, assim que foram libertas, desapareceram imediatamente.
E logo depois, acordei ouvindo: “Geo, acorda! Vamos, chegamos na casa da sua outra tia. Você dormiu a viagem toda.”
“Ah, até que enfim! Parece que tirei um cochilo. Bora lá!”
Olhei ao redor e vi: “Olha só, a casa tem um ferro-velho! Vou correr até lá e brincar!”